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Fascismo, Modernismo, Neo-realismo Posições estético-ideológicas em arquitectura no Estado Novo

Esta apresentação é construída sobre algumas investigações prévias, que foram sendo feitas durante os meus dois últimos anos de curso.
De alguma forma, pretende-se vender a minha ideia daquilo que foi sendo a construção das orientações arquitectónicas em Portugal durante o período do Estado Novo, que é diferente se não contrária àquilo que foi sendo mais ou menos consensualmente impingido pelos discursos oficiais do regime ao longo das últimas duas décadas, seja pelas escolas, como a minha, seja pelos estudiosos que trabalharam e escreveram sobre o assunto, como Sérgio Fernandez ou Ana Tostões.
Já agora, e em defesa deles, para que não se pense que estou a atacá-los ferozmente, porque não estou, os estudos e publicações destes e doutros foram fundamentais para trazer à luz um período muito mal tratado da arquitectura em Portugal, e para permitir construir uma história que nos permita melhor compreender o presente.
O “Percurso da Arquitectura portuguesa 1930-1974” e “Os Verdes Anos da Arquitectura Portuguesa nos Anos 50”, assim como outras, são obras cruciais sem as quais os estudos que eu próprio fui fazendo nunca teriam sido possíveis.
De qualquer forma, a visão dominante sobre a arquitectura moderna em Portugal, o surgimento do Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa, a arquitectura dos anos 60 como resposta quer ao regime quer às limitações da arquitectura mais internacionalista, está, na minha opinião, errada, parte de demasiados pressupostos, e depende do esquecimento de uma série de factos para se manter de pé.
Assim, Ir-se-á brevemente integrar a realidade da arquitectura portuguesa no sec.XX num contexto internacional, sem o qual não se conseguem entender nem as abordagens internacionalistas á arquitectura nem tão pouco as nacionalistas ou regionalistas, que também se integram em linhas de pensamento mais alargadas que percorrem todo o Ocidente, pelo menos.
O aparecimento e gradual crescimento da arquitectura moderna em Portugal desde os anos 30 aos anos 50 é conhecido, e o seu entendimento consensual. O que vamos realçar, é a forma como o modernismo monumental de regime e a arquitectura mais próxima do movimento moderno internacional conviveram mais ou menos pacificamente durante este período de tempo, e foram praticamente apagados nos anos 60 e substituídos nas vanguardas por uma linha poética, fundamentada no Inquérito, a que os seus proponentes chamaram de neo-realista.
Esta linha, constituiu um compromisso de regime, aproxima-se metodologicamente da arquitectura mais conservadora do início do sec.XX, substituindo o populismo de Raul Lino por uma base empírica mais ou menos alargada, e afasta as vanguardas da arquitectura urbana, num período de crescimento do capital imobiliário em Portugal.
Por último, como todo o estudo sobre um caso concreto tem por trás uma macro-teoria mais alargada, afirma-se já aqui que a macro-teoria que se vai impingir é a de que todo o posicionamento estético é intrinsecamente ideológico, que não existe arte sem sociedade, e sendo que a produção artística não pode ser reduzida à ideologia, porque comporta uma vertente de conhecimento que se faz na relação homem-natureza, não é nunca desligada das formas de pensamento construídas na relação homem-sociedade. Em arquitectura, isto manifesta-se de maneira particularmente contundente, já que a arquitectura condiciona directamente através da manipulação da matéria as formas pelas quais se faz a vida social.

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