Cartaz da Nona Oficina do Pensável


Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 22 de Abril, pelas 21h30, na Universidade Popular do Porto.

A entrada é livre, estando apenas sujeita a inscrição via correio electrónico para: oficinasdopensavel@gmail.com.

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Fascismo, Modernismo, Neo-realismo Posições estético-ideológicas em arquitectura no Estado Novo

Esta apresentação é construída sobre algumas investigações prévias, que foram sendo feitas durante os meus dois últimos anos de curso.
De alguma forma, pretende-se vender a minha ideia daquilo que foi sendo a construção das orientações arquitectónicas em Portugal durante o período do Estado Novo, que é diferente se não contrária àquilo que foi sendo mais ou menos consensualmente impingido pelos discursos oficiais do regime ao longo das últimas duas décadas, seja pelas escolas, como a minha, seja pelos estudiosos que trabalharam e escreveram sobre o assunto, como Sérgio Fernandez ou Ana Tostões.
Já agora, e em defesa deles, para que não se pense que estou a atacá-los ferozmente, porque não estou, os estudos e publicações destes e doutros foram fundamentais para trazer à luz um período muito mal tratado da arquitectura em Portugal, e para permitir construir uma história que nos permita melhor compreender o presente.
O “Percurso da Arquitectura portuguesa 1930-1974” e “Os Verdes Anos da Arquitectura Portuguesa nos Anos 50”, assim como outras, são obras cruciais sem as quais os estudos que eu próprio fui fazendo nunca teriam sido possíveis.
De qualquer forma, a visão dominante sobre a arquitectura moderna em Portugal, o surgimento do Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa, a arquitectura dos anos 60 como resposta quer ao regime quer às limitações da arquitectura mais internacionalista, está, na minha opinião, errada, parte de demasiados pressupostos, e depende do esquecimento de uma série de factos para se manter de pé.
Assim, Ir-se-á brevemente integrar a realidade da arquitectura portuguesa no sec.XX num contexto internacional, sem o qual não se conseguem entender nem as abordagens internacionalistas á arquitectura nem tão pouco as nacionalistas ou regionalistas, que também se integram em linhas de pensamento mais alargadas que percorrem todo o Ocidente, pelo menos.
O aparecimento e gradual crescimento da arquitectura moderna em Portugal desde os anos 30 aos anos 50 é conhecido, e o seu entendimento consensual. O que vamos realçar, é a forma como o modernismo monumental de regime e a arquitectura mais próxima do movimento moderno internacional conviveram mais ou menos pacificamente durante este período de tempo, e foram praticamente apagados nos anos 60 e substituídos nas vanguardas por uma linha poética, fundamentada no Inquérito, a que os seus proponentes chamaram de neo-realista.
Esta linha, constituiu um compromisso de regime, aproxima-se metodologicamente da arquitectura mais conservadora do início do sec.XX, substituindo o populismo de Raul Lino por uma base empírica mais ou menos alargada, e afasta as vanguardas da arquitectura urbana, num período de crescimento do capital imobiliário em Portugal.
Por último, como todo o estudo sobre um caso concreto tem por trás uma macro-teoria mais alargada, afirma-se já aqui que a macro-teoria que se vai impingir é a de que todo o posicionamento estético é intrinsecamente ideológico, que não existe arte sem sociedade, e sendo que a produção artística não pode ser reduzida à ideologia, porque comporta uma vertente de conhecimento que se faz na relação homem-natureza, não é nunca desligada das formas de pensamento construídas na relação homem-sociedade. Em arquitectura, isto manifesta-se de maneira particularmente contundente, já que a arquitectura condiciona directamente através da manipulação da matéria as formas pelas quais se faz a vida social.

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Cartaz da Oitava Oficina do Pensável

Cartaz da Oitava Oficina do Pensável

Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 25 de Março, pelas 21h30, na Universidade Popular do Porto.

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Memórias dos moradores do bairro da Relvinha em Coimbra: da Resistência Quotidiana à autoconstrução no âmbito do SAAL

Através de uma “etnografia em retrospectiva”, pretendeu-se estudar as memórias dos moradores do bairro da Relvinha, que “conceptualizam o passado a partir de um tempo presente”, tal como as memórias estudadas por Sónia Vespeira de Almeida. Dividi a minha investigação em três partes que correspondem a três tempos. A primeira parte é constituída pelos quotidianos dos moradores marcados pela pobreza e múltiplas estratégias de sobrevivência, que chegavam a dar forma a acções de resistência quotidiana. Trata-se de quotidianos vividos na zona da Estação Velha em Coimbra até 1954, ano em que 28 famílias foram desalojadas. O segundo tempo, pretende retratar o quotidiano dos moradores durante o período entre 1954 e 1974. Estas famílias excepto os três primeiros anos em que tinham sido realojadas em bairros camarários dispersos pela cidade, foram novamente realojadas num bairro de barracas de madeira construído de raíz que procurava resolver de forma provisória a situação relativa à habitação destes moradores. As barracas de madeira, pouco tempo depois de serem estreadas, começaram a ter problemas de insalubridade. A pobreza e a fome continuaram a marcar a vida destes moradores. Durante este período, começou a haver algum contacto com o movimento estudantil e com os movimentos de oposição, que contribuiram para um fortalecimento da consciência política e para o aparecimento de formas de resistência de novo tipo. Porém, apenas, após o 25 de Abril de 1974, com a adesão ao projecto SAAL, se deu o início da construção de casas novas em auto-construção e se substituiram as barracas de madeira, marcando o início de um novo tempo. Um tempo que é lembrado pelos moradores como um tempo denso em que está presente a “espoir”, conceito desenvolvido por Luísa Tiago Oliveira ao considerar que a “espoir” descrita por Malraux acerca da guerra civil espanhola se tratava de uma esperança idêntica à que se viveu e sentiu em Portugal nos dois ou três anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Neste processo de auto-construção houve uma intensa participação dos moradores do bairro da Relvinha. Os moradores, na execução da Operação SAAL da Relvinha, contaram com a colaboração de vários grupos que se solidarizaram com a luta destes moradores pelo direito a uma habitação condigna. Entre os mesmos, contam-se um grupo de estudantes de medicina, grupos culturais, grupos de jovens voluntários estrangeiros, empresas, pessoas a título individual que deram um contributo imenso para a consecução dos objectivos dos moradores.

João Baía

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Cartaz da Sétima Oficina do Pensável

Cartaz da sétima Oficina

Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 26 de Novembro, pelas 21h, na Universidade Popular do Porto.

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De João Grilo a Judite: Uma reflexão sobre o saber, a legitimação, a cegueira e a imaginação: conhecimento e literatura

Partindo do conto tradicional de João Grilo, que tudo adivinha sem nada saber, procurar-se-á construir um percurso reflexivo acerca da produção do conhecimento em diferentes paradigmas de reconstrução da realidade, questionando o lugar da metáfora na epistheme científica e artística, a
encenação da autenticidade através da objectividade ou ainda o sentimento da verdade e racionalidade. Se todo o conhecer decorre de um processo de linguagem, toda a ciência é pura representação: enquanto narrativa, o seu estatuto aproxima-se da ficcionalidade da arte, embora esta última trabalhe conscientemente sobre o imaginário. Talvez Judite, ao matar Holofernes, represente o fim do cerco da racionalidade logocêntrica à subjectividade e aos valores.

Pedro Almeida
(Bolseiro FCT)

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Gravação da Quinta Oficina do Pensável

A gravação da Quinta Oficina do Pensável encontra-se publicada.

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Os palestinianos e o Líbano: 70 anos de relações difíceis

Os palestinianos e o Líbano: 70 anos de relações difíceis

A oficina será dinamizada por Michel Kabalan, da Freie Universitaet zu Berlin, em português. Realiza-se hoje, dia 9 de Outubro, às 21:00.

Inscrições via email para oficinasdopensavel arroba gmail.com.

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Cartaz da Quinta Oficina do Pensável

Marcas do Ex-Combatente.: Um olhar sociológico sobre a experiência de guerra

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Marcas do Ex-Combatente: Um olhar sociológico sobre a experiência de guerra

A partir da nossa questão de partida em que procuramos aferir o impacto da Guerra Colonial Portuguesa no processo de construção da identidade pessoal, social e cultural dos ex-combatentes, tomamos como principais linhas de força delineadoras do nosso trabalho, a identidade, a memória e a guerra.

De facto, com base neste exercício de debate, procuramos, a partir da análise interpretativa das narrativas de guerra, entender de que modo os veteranos de guerra constroem a sua experiência de guerra, reconstroem o seu passado e apresentam a sua identidade. Ou seja, as nossas interrogações de fundo provêm da necessidade de delimitarmos as fronteiras da identidade tentando perceber a relação entre a identidade de origem e a identidade assumida em situação de conflito; da possibilidade de entendermos mais alargadamente a noção de ruptura e sobrevivência que a Guerra provocou e quais as suas implicações nas disposições adquiridas e reconstruídas de modo a se atentar nos processos de transformação pós-conflito; de analisarmos os traços sociais dos combatentes na sua trajectória à luz da duplicidade vivida em situação de guerra e ainda de avaliar a reconversão efectuada e a sua significação tendo presentes os impactos no lugar ocupado na estrutura social e grupal e, ainda, de questionarmos de que forma os combatentes incarnavam o “país enquanto centro”, por referência aos esquemas culturais e políticos da época, lutando por uma questão de sobrevivência ou pela crença na guerra.

Tendo em linha de conta estas ideias, a nossa pesquisa procurou reflectir sobre, não só um conjunto de atributos e dimensões transversais aos discursos produzidos pelos agentes, garantindo o acesso a uma memória comum, como também sobre as particularidades da sua trajectória de acordo com transformações ocorridas antes e depois da guerra.

Inês Coelho

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