A invenção da Nacionalidade: Temas, Ritmos e Estratégias da Historiografia Portuguesa dos sécs. XII a XVI.


Conta-se que, já bem avançado o séc. XIX, o rei D. Luís perguntou a certos pescadores se eram portugueses e eles responderam-lhe que não, «que eram da Póvoa de Varzim». Verdadeira ou apenas benne trovata, esta pequena história ilustra na perfeição o que por vezes esquecemos: que a identidade nacional, aqui como em qualquer outro lugar, começou por não existir e nem sempre se manifestou da mesma maneira. Passou por diferentes circunstâncias, foi moldada pelos mais diversos actores, cumpriu múltiplas finalidades, significa uma coisa hoje, significou outra ontem, significará outra amanhã.

O que aqui vos proponho é simples: regressar às origens e ver como é que a ideia de Portugal foi ganhando corpo ao longo da Idade Média e do início da época moderna. De que forma os portugueses de então viam o seu passado, que laços de união consideravam (ou não consideravam) existir entre eles, como se chegou à ideia abstracta e quase sagrada de nação e que interesses ela serviu ou de que interesses se serviu.

Tomarei por guia as crónicas redigidas entre os séculos XIV e XVI e, como fio condutor, destacarei as diversas explicações que elas foram dando a respeito daquele que depois se tornaria o símbolo por excelência do país: a sua bandeira. Que dizem as mais antigas crónicas acerca da origem e do significado da nossa bandeira? A que motivações, estratégias e contextos obedeceram essas explicações, e de que forma elas condicionaram as gerações futuras? O que a escola nos ensinou e os meios de comunicação social nos ensinam acerca do significado das quinas e dos castelos será o mesmo que os portugueses desses séculos diziam?

Eis, em síntese, o que se analisará, problematizará e discutirá.

Filipe Alves Moreira

Gravação de 28 de Maio

 
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