Marcas do Ex-Combatente: Um olhar sociológico sobre a experiência de guerra


A partir da nossa questão de partida em que procuramos aferir o impacto da Guerra Colonial Portuguesa no processo de construção da identidade pessoal, social e cultural dos ex-combatentes, tomamos como principais linhas de força delineadoras do nosso trabalho, a identidade, a memória e a guerra.

De facto, com base neste exercício de debate, procuramos, a partir da análise interpretativa das narrativas de guerra, entender de que modo os veteranos de guerra constroem a sua experiência de guerra, reconstroem o seu passado e apresentam a sua identidade. Ou seja, as nossas interrogações de fundo provêm da necessidade de delimitarmos as fronteiras da identidade tentando perceber a relação entre a identidade de origem e a identidade assumida em situação de conflito; da possibilidade de entendermos mais alargadamente a noção de ruptura e sobrevivência que a Guerra provocou e quais as suas implicações nas disposições adquiridas e reconstruídas de modo a se atentar nos processos de transformação pós-conflito; de analisarmos os traços sociais dos combatentes na sua trajectória à luz da duplicidade vivida em situação de guerra e ainda de avaliar a reconversão efectuada e a sua significação tendo presentes os impactos no lugar ocupado na estrutura social e grupal e, ainda, de questionarmos de que forma os combatentes incarnavam o “país enquanto centro”, por referência aos esquemas culturais e políticos da época, lutando por uma questão de sobrevivência ou pela crença na guerra.

Tendo em linha de conta estas ideias, a nossa pesquisa procurou reflectir sobre, não só um conjunto de atributos e dimensões transversais aos discursos produzidos pelos agentes, garantindo o acesso a uma memória comum, como também sobre as particularidades da sua trajectória de acordo com transformações ocorridas antes e depois da guerra.

Inês Coelho

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