De João Grilo a Judite: Uma reflexão sobre o saber, a legitimação, a cegueira e a imaginação: conhecimento e literatura


Partindo do conto tradicional de João Grilo, que tudo adivinha sem nada saber, procurar-se-á construir um percurso reflexivo acerca da produção do conhecimento em diferentes paradigmas de reconstrução da realidade, questionando o lugar da metáfora na epistheme científica e artística, a
encenação da autenticidade através da objectividade ou ainda o sentimento da verdade e racionalidade. Se todo o conhecer decorre de um processo de linguagem, toda a ciência é pura representação: enquanto narrativa, o seu estatuto aproxima-se da ficcionalidade da arte, embora esta última trabalhe conscientemente sobre o imaginário. Talvez Judite, ao matar Holofernes, represente o fim do cerco da racionalidade logocêntrica à subjectividade e aos valores.

Pedro Almeida
(Bolseiro FCT)

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