Archive for Março de 2009

Cartaz da Primeira Oficina do Pensável

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Estado, Alojamento e a «Questão Social» no Porto: estudo de uma intervenção habitacional do Estado Novo.

Depois de visitar o Bairro onde fica a pequena moradia que o Estado lhe atribuiu, na sequência da sua inscrição no concurso para aquisição de uma das novas Casas Económicas da cidade, Joaquim parece menos entusiasmado com a perspectiva de sair do acanhado 2º Esquerdo da Baixa onde vive desde que casou. “Aquilo é o desterro! Disseram-me lá que tem havido muitas desistências porque os homens trabalham no centro e ir e vir todas os dias, para além de ser uma despesa muito grande para um simples empregado como eu, significa perder mais de duas horas por dia em viagens, entre percursos de eléctrico e deslocações a pé. Não sei se vou conseguir aguentar, tanto mais que o valor que eles pedem de prestação mensal é alto. 85$, para quem ganha só 450, não é exactamente uma pechincha…”

A esposa de Joaquim, porém, insiste na mudança. No novo Bairro não falta nada: há escola e espaço para as crianças brincarem, mercearia, padaria, talho… E cada casa tem o seu próprio quintal. Fome, pelo menos, nunca passarão!
Joaquim concorda, mas não parece totalmente convencido. Em particular, parecem intrigá-lo os motivos que levaram a Secção de Casas Económicas a construir moradias tão longe do centro, nos arrabaldes da cidade, quase a chegar a S. Mamede de Infesta. Ainda assim, o que ali está é uma “oportunidade única” que o Estado Novo e o Sindicato lhe dão de poder concretizar o sonho de se tornar proprietário e de, um dia, deixar uma herança aos filhos de que se orgulhe. Há, por isso, que tratar da papelada em falta, para que a oportunidade não se perca.

A partir do estudo aprofundado de uma intervenção habitacional do Estado Novo no Porto (estudar-se-á, especificamente, um dos Bairros de Casas Económicas construídos na cidade na década de 1930), pretende-se obter respostas para algumas das questões que a reflexão sociológica sobre as relações entre Estado, Alojamento e Questão Social no nosso país geralmente aporta:

  • Quais as propriedades genéticas da política de promoção de habitação pelo Estado em Portugal?
  • Quais os condicionalismos impostos por essas propriedades genéticas à trajectória subsequente das políticas de habitação no nosso país?
  • Qual a especificidade da política habitacional no conjunto das medidas de confrontação do Estado com a “Questão Social”?
  • Que relação entre política de habitação e política de expansão e desenvolvimento urbano na cidade do Porto?
  • Quais os efeitos das intervenções habitacionais na (re)composição do tecido social portuense?
  • Qual o papel reservado pelo Estado às populações-alvo das intervenções habitacionais?
  • Que pode haver de singular em cada uma das intervenções desenvolvidas no quadro de um programa estatal de construção de habitação e em que medida as eventuais singularidades aprofundam ou, pelo contrário, subvertem os princípios gerais desse programa?

Na medida em que o estudo a que esta apresentação se reporta está longe da sua conclusão, a Oficina do próximo dia 26 não poderá ainda oferecer respostas conclusivas a estas questões. Por isso, a oportunidade será aproveitada, acima de tudo, para tentar, com os participantes, afinar as perguntas a colocar à realidade e para potenciar a discussão em torno do método que mais eficientemente as poderá esclarecer.

João Queirós

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Apresentação.

Esta iniciativa organizada no quadro das actividades da UPP – Universidade Popular do Porto é, antes de mais, um lugar de intercâmbio onde falamos do nosso trabalho e conhecemos o dos outros. Tudo porque rejeitamos essa espécie de “solidão especializada”, hoje tantas vezes prevalecente, e reconhecemos que o conhecimento é sempre mais do que a soma das suas infinitas partes.

Somos uma oficina onde o pensar é um trabalho de todos para todos. Por isso, junta-te a nós no esforço de alargar os limites do pensável.

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