Cartaz da Décima Quarta Oficina do Pensável

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Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 9 de Junho, pelas 21h30, na Universidade Popular do Porto

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Desproletarizar: A Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT) enquanto instrumento de mediação ideológica no Estado Novo.

Nuno Domingos

Este artigo procura discutir o quadro da actividade política e ideológica da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), organização de tempos livres para trabalhadores criada pelo Estado Novo em 1935. A remissão da FNAT para o contexto da formação por parte do regime de um sistema de inculcação ideológica, típico de outros regimes fascistas, encerra a instituição numa cronologia estrita, definida pela tipologia do regime. Argumenta-se neste artigo que tanto a génese como o âmbito da actividade concreta da instituição respondem a um conjunto de problemas cujas condições históricas e sociais de produção se encontram dentro de outra cronologia, que precede e ultrapassa o Estado Novo, e cujo eixo de causalidade elementar, embora não o único, se encontra na história da regulação das relações de produção e na reprodução da força de trabalho. No âmbito do sistema corporativo, a FNAT estabeleceu-se como um dos instrumentos modernos de regulação das relações de produção de tipo capitalista, partilhados em fóruns internacionais e institucionalizados no aparelho de Estado por intermédio de uma burocracia técnica do conhecimento. A progressiva autonomização de um campo específico de resolução de problemas repercutiu-se no contexto da formulação de políticas de enquadramento estrutural, como a construção de sistemas de segurança social, como na acção situada à escala da empresa, espaço de socialização no qual a FNAT interveio. Uma das consequências da autonomização deste campo de resolução de problemas é o modo como, por intermédio de um processo de eufemização, tende a ocultar as suas condições históricas de produção.

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Cartaz da Décima Terceira Oficina do Pensável

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Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 5 de Maio, pelas 21h30, na Universidade Popular do Porto

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Arqueologia e legitimação do poder

Paulo Lima

A Arqueologia é a disciplina da Modernidade que se propõe interpretar as obras culturais e os vestígios dos seres humanos do “passado” e com isso compreender o homem e a sua trajectória no Mundo.
Porém, aquilo que aparentemente parece acessível mediante o uso de metodologias científicas adequadas de recolha de dados e de estudo aturado dos vestígios, revela-se como uma missão controversa pois as narrativas sobre o passado não são imunes aos interesses sociopolíticos, sendo, elas próprias, instrumentos que permitem a legitimação, reprodução e manutenção de certas formas de poder.
Será legítimo, ou melhor, a quem serve a extrapolação para as sociedades do passado (que seguramente funcionaram segundo uma racionalidade de subjectivização que não nos é acessível) através da utilização de ferramentas conceptuais vinculadas à visão ocidental do Mundo?

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Cartaz da Décima Segunda Oficina do Pensável

Cartaz Oficina 12

Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 31 de Março, pelas 21h30, na Universidade Popular do Porto, a 12a Oficina do Pensável.
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Biopolítica e dispositivos mediáticos: para uma descrição das relações de poder na contemporaneidade.

Luís Carneiro

Nesta oficina, após a apresentação do conceito, proposto por Michel Foucault, de biopolítica – conceito que ilustra o tipo de racionalidade política emergente no século XVIII com a introdução de um vasto conjunto de técnicas e procedimentos tendentes à regulação e controlo das populações -, veremos de que modo pode ele ser pensado na contemporaneidade, nomeadamente a par do desenvolvimento dos mass media, dos meios de comunicação, da cibernética e das tecnologias digitais. Uma hipótese condutora será a da progressiva virtualização e desterritorialização da própria vida, na medida mesma da sua captura pelas técnicas biopolíticas características do Capitalismo tardio.

De forma a explicitar o modo de procedimento desta captura analisaremos também o conceito de dispositivo, termo técnico desenvolvido por Michel Foucault, compreendendo em si um conjunto heterogéneo de coisas tais como discursos, instituições, edifícios, leis, medidas policiais, proposições filosóficas, etc., e mais especificamente o de dispositivo mediático, pensado como aquilo que, mediatizando toda a relação do homem consigo mesmo, com o outro e com o mundo, possui a capacidade de modelar, esquematizar, assegurar e controlar gestos, comportamentos, condutas e opiniões. Para tal, veremos de que maneira, na esteira do trabalho de Giorgio Agamben, a figura jurídica do estado de excepção – totalmente extremada como paradigma do Nazismo -, progressivamente tornada norma na contemporaneidade, potencia a proliferação desmesurada dos dispositivos e a sua aplicação a uma vida nua – nem a vida natural da espécie, puramente biológica, nem a vida política e culturalmente qualificada, mas um limiar de indistinção entre uma e outra, entre facto e direito.

Por fim, mobilizaremos o pensamento no sentido de uma restituição ao uso comum das potencialidades capturadas nos dispositivos e no de uma resistência propriamente política a estas formas de controlo.

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Cartaz da Décima Primeira Oficina do Pensável


Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 24 de Fevereiro, pelas 21h30, na Universidade Popular do Porto, a décima primeira oficina do pensável com o tema Vivências quotidianas num contexto (des)industrializado do Vale do Ave: uma perspectiva sociológica sobre os percursos objectivos e subjectivos do operariado feminino de Riba d’Ave por
Sandra Margarida Leitão

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Vivências quotidianas num contexto (des)industrializado do Vale do Ave: uma perspectiva sociológica sobre os percursos objectivos e subjectivos do operariado feminino de Riba d’Ave

Esta breve apresentação procura ir de encontro à necessidade de melhor compreender um fenómeno social contextualizado na Freguesia de Riba d´ Ave, situada no Extremo Leste de Vila Nova de Famalicão, um dos concelhos integrantes da região do Vale do Ave. Foi nosso intuito apreender de que modo a construção subjectiva das trajectórias individuais se relaciona com as oportunidades e os constrangimentos mais amplos e duradouros da estrutura social, neste contexto espacial fortemente marcado pela implementação da indústria têxtil e pela consequente desindustrialização. Tendo sempre presente a importância de identificar, ao longo deste processo, as características e diferenciações internas da classe operária na construção da sua visão do mundo e na definição de estratégias pessoais e colectivas. Concomitantemente, tentamos descortinar qual o papel do operariado feminino na luta organizada de classes, com a intenção de perceber a relação estabelecida entre a vida dentro e fora da fábrica, descodificando assim, linhas e práticas de (re)produção social territorializadas.

Nesse sentido, foram realizadas, ou (re)construídas, oito histórias de vida de ex-operárias da Fábrica Sampaio Ferreira & Cª Lda, fundada em 1896 pelo tecelão Narciso Ferreira, embora inicialmente tivesse a designação de Fábrica de Fiação, Tecidos e Tinturaria de Riba de Ave. Esta foi a primeira fábrica algodoeira a emergir no concelho de Vila Nova de Famalicão, dando início à sua actividade com 200 teares e uma estrutura produtiva verticalizada onde incorporava sectores de fiação, tecelagem e tinturaria. É um fácil exemplo da apropriação da energia natural e operária na criação de uma estrutura económica e social durável, que se prolonga para além do seu encerramento em 2005. A história deste estabelecimento encerra em si mesmo o modelo tipo de criação, ascensão e declínio das unidades fabris da região e da burguesia paternalista que nelas se ancorava. As suas ruínas continuam a marcar a paisagem da freguesia de Riba d`Ave, de tal modo que são frequentemente apontadas como um incómodo visual que deve ser destruído e nunca reconstruído, porque em última instância, espelham o declínio das trajectórias profissionais individuais e, ao mesmo tempo, relembram a falência de um projecto colectivo que esmorece nas margens do Rio Ave.

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Cartaz da Décima Oficina do Pensável


Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 20 de Maio, pelas 21h30, na Universidade Popular do Porto, a décima oficina do pensável com o tema Vivências e Práticas de formação na clandestinidade comunista (1940-1974) por Cristina Nogueira.

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Vivências e Práticas de formação na clandestinidade comunista (1940-1974)

Cristina Nogueira

Este artigo pretende dar conta das vivências de clandestinos comunistas durante o “Estado Novo”, caracterizando a sua forma de vida, as regras que tinham de cumprir para permanecerem clandestinos, conseguindo iludir a vigilância da polícia política.
Assumindo como pressuposto que a formação não se restringe ao espaço e ao figurino escolar, entende-se que existem outras estâncias formadoras, que, ainda que não tenham como seu esse objectivo, na realidade o alcançam. Considera-se que existem contextos informais de formação e que a experiência pode desempenhar um papel fundamental na formação de cada indivíduo, originando não só transformações superficiais, mas também profundas transformações na subjectividade e na identidade de cada pessoa.
Este artigo pretende caracterizar as práticas de formação na clandestinidade, defendendo-se que estas se centram fundamentalmente em torno de dois eixos: a formação experiencial e a formação não formal.
Quanto ao primeiro eixo, a formação ocorria pela e com a experiência e era reflectida e transmitida pela organização partidária a outros clandestinos que assim melhoravam as formas de iludirem a vigilância policial e adequarem as regras conspirativas aos avanços policiais. Estas experiências individuais foram reflectidas, por vezes discutidas e debatidas tendo originado um conhecimento partilhado pelos clandestinos que serviu para a criação de normas e regras de conduta. Foi esta formação pela experiência que permitiu que um conjunto de saberes fosse transmitido ao longo do tempo, reflectido e “armazenado” possibilitando assim permanência na situação de clandestinidade
Quanto ao segundo eixo, a formação não formal, defende-se que existia por parte a organização um forte apelo à formação e ao estudo. Esta formação centrava-se na alfabetização dos clandestinos não alfabetizados e sobretudo na formação política e ideológica, contudo, existia também uma procura de disseminação e vulgarização do saber, cujo acesso se entendia ser um direito de todos os homens. Deste modo, era dever de cada um partilhar o que sabia, assim como competia à organização partidária estimular o estudo e elevar o nível cultural de cada um, pois entendia-se a cultura e o conhecimento como factores potenciadores da emancipação humana.

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